"Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:

'Trouxeste a chave?'"

Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Do fogo (Soneto das chamas)

Sinto meu corpo em chamas consumido,
a dor e o ardor fulminam minha mente:
Meu cérebro se inflama, enlouquecido
e o fogo me devora inclemente...

Ó delírio de arder que me alucina,
em cujo calor quero me sublimar
do inverno que me invade - me domina
- e em fogo meus desejos expurgar.

Sonho em arder, queimar, ser consumida,
como a fogueira (brasa se tornou),
e em chamas calcinar a própria vida,

Mas se o fogo me arrasa, livre estou!
Como a Fênix, das chamas renascida,
das cinzas me refaço: fogo sou!

segunda-feira, 15 de setembro de 2014