Não olharei para trás pensando no que poderia ter sido. Olharei para frente com convicção. O futuro não realizado é apenas um passado amargo. Não quero o passado.
"Trouxeste a chave?"
"Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
'Trouxeste a chave?'"
Carlos Drummond de Andrade
terça-feira, 8 de setembro de 2026
Dia dos Pais
O amor que me ensinastes foi meu norte,
E se sigo sozinha minha estrada
Foi porque aprendi de ti como ser forte,
Caminhando ao teu lado, de mãos dadas.
Não importa a distância, amor resiste,
E a lembrança, eu sei, é um presente,
Ainda que eu chore, ou fique triste
Ainda que meu cantar fique silente.
Neste dia de homenagem e saudade,
Quis escrever os versos mais bonitos,
Que transcendessem tempo e eternidade,
Porque o amor sempre ecoa no infinito!
terça-feira, 12 de junho de 2018
Poema Inquieto
Quando nasci, um anjo maroto,
desses que vivem à toa disse: "Vai"
mas não me disse pra onde,
e por isso ando por aí,
de porto a porto,
à procura de um eu
que não sei onde se esconde...
desses que vivem à toa disse: "Vai"
mas não me disse pra onde,
e por isso ando por aí,
de porto a porto,
à procura de um eu
que não sei onde se esconde...
Tantos caminhos já trilhei:
da minha dor e angústia, só eu sei.
E da ordem do anjo maroto
me veio essa sina de não sossegar.
Vivo ora aqui, ora acolá...
Sou inconstante, mutante,
e minha dor é variável,
assim como meu amor.
Meus pés me levam
para onde a estada for...
Ah, anjo maroto que me batizou!
Pois se um dia eu me cansar
de ser inquietude,
vou ser gauche na vida...
Ah, se vou!
da minha dor e angústia, só eu sei.
E da ordem do anjo maroto
me veio essa sina de não sossegar.
Vivo ora aqui, ora acolá...
Sou inconstante, mutante,
e minha dor é variável,
assim como meu amor.
Meus pés me levam
para onde a estada for...
Ah, anjo maroto que me batizou!
Pois se um dia eu me cansar
de ser inquietude,
vou ser gauche na vida...
Ah, se vou!
sábado, 2 de junho de 2018
Do Sangue (Soneto do Coração)
Como seiva que corre e nutre a vida,
como rio que entoa cantilenas,
sou o fluxo vital, e que convida
a amar, e a sofrer mais duras penas.
como rio que entoa cantilenas,
sou o fluxo vital, e que convida
a amar, e a sofrer mais duras penas.
Como o mel que adoça e sustenta,
como o sêmen, que nutre a criação
minha essência viscosa te alimenta,
te invade, te transborda o coração.
como o sêmen, que nutre a criação
minha essência viscosa te alimenta,
te invade, te transborda o coração.
Sou líquido que corre em tuas veias,
minha essência é rubra e visceral.
Sou o pulso vital que te incendeia.
Sou o pulso vital que te incendeia.
Eu sou o teu instinto animal,
tua carne, teu desejo sem cadeias:
Eu sou o teu pecado original!
Da Terra (Soneto da Criação)
Sou o início da vida, mãe primeva,
é meu seio que a tudo alimenta:
Sou Gaia, sou Deméter, Ísis, Eva,
sou útero que nutre e que sustenta.
é meu seio que a tudo alimenta:
Sou Gaia, sou Deméter, Ísis, Eva,
sou útero que nutre e que sustenta.
De minha carne tiras pão da vida
que sustenta tua força viril.
E em troca da fartura oferecida
recebo fome e ganância vil.
Tua cobiça é vírus, e se espalha,
produzindo miséria, praga e guerra,
e eu, que ora fui berço, sou mortalha
pois quando a tua vida se encerra
os teus ossos cansados da batalha
os teus ossos cansados da batalha
adormecem no seio da mãe-terra.
terça-feira, 22 de dezembro de 2015
O sorriso de Giselle
Giselle pediu um poema
e eu, tola, concordei.
Pensei : “talvez um soneto,
com rigor metrificado”...
(um poema assim pedido,
com tanto cuidado e zelo,
é assunto delicado,
não é qualquer poemeto!)
Eis que, quando comecei,
vi-me diante de um dilema:
É que o sorriso de Giselle
é muito mais bonito
que qualquer tolo poema
que eu pudesse ter escrito.
O sorriso de Giselle
ilumina o infinito,
e não há verso torto
que possa descrever
a medida de conforto
que sorriso tão sereno
pode oferecer.
Pois eu lhes digo que a tristeza
alegrar-se-ia ao ver
o sorriso de Giselle
em toda a sua grandeza.
E não tem coisa mais linda,
não há nada que supere,
a ternura que não finda,
e a alegria à flor da pele
do sorriso de Giselle.
Para Giselle Cardoso
terça-feira, 14 de abril de 2015
Do Ar (Soneto Etéreo)
Sou Noto: esculpo nuvens na alvorada,
no anil e excelso pálio luminoso.
Quando soprar a minha cálida lufada
tu sentirás o meu abraço vaporoso.
E quando corro, forte e altaneiro,
e me espalho, incontido e insurgente,
sou Euro: o que impele o veleiro
ou arrebata o marinheiro de repente.
Sou essência incorpórea e intangível
e meu sopro é gélido e inclemente:
me conhecem como Bóreas, o terrível.
E então sou Zéfiro, o vento do poente:
danço no espaço, etéreo e indefinível,
anunciando a primavera iminente.
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