"Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:

'Trouxeste a chave?'"

Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 14 de abril de 2015

Do ar (Soneto etéreo)

Sou Noto: esculpo nuvens na alvorada,
no anil e excelso pálio luminoso.
Quando soprar a minha cálida lufada
tu sentirás o meu abraço vaporoso.

E quando corro, forte e altaneiro,
e me espalho, incontido e insurgente,
sou Euro: o que impele o veleiro
ou arrebata o marinheiro de repente.

Sou essência incorpórea e intangível
e meu sopro é gélido e inclemente:
me conhecem como Bóreas, o terrível.

E então sou Zéfiro, o vento do poente:
danço no espaço, etéreo e indefinível,
anunciando a primavera iminente.


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